22 de setembro de 2014

Lady Gaga procura renascimento ao lado de Bennett em "Cheek To Cheek"

Depois do fracasso e de uma verdadeira apatia para prosseguir na música, a cantora pop Lady Gaga viu em Bennett e o jazz a chance para renascer.

Há exatamente um mês, comentamos aqui sobre as primeiras faixas divulgadas do álbum colaborativo entre Lady Gaga e Tony Bennett, o "Cheek To Cheek", lançado esta semana. Desta vez, voltamos para comentar sobre a sonoridade do disco, além de falar sobre Gaga, sua iniciação ao Jazz e a crítica ao álbum feita pela Slant Magazine.

"É o truque mais velho na manga, cantora pop que antes tinha sucesso tenta aumentar sua relevância e vendas baixas buscando a ajuda de um artista mais rentável e mais popular." 

É com estes dizeres que a crítica negativa inicia, atingindo não o disco, mas a cantora, acusando-a de "usar Bennett" para aumentar sua relevância. E durante todo o texto, a crítica parece ser feita apenas com o intuito de atacar Gaga, deixando o álbum em segundo plano, e sobrando até mesmo para o pobre Tony Bennett. 

Em meio a tantas ofensas, fica até difícil saber por onde começar. A questão é que Cheek To Cheek talvez seja apenas um álbum de regravações. Mas, pelo menos para mim, soa como um dos mais belos trabalhos já realizados pela cantora Lady Gaga. Não aquela que um dia vestiu-se de carne para anunciar "Born This Way" ou a que foi vomitada em performance de "Swine", mas sim a mulher, a cantora de voz impactante.

Vindo de um fracassado álbum como ARTPOP e no meio de muitas confusões que ocorreram durante este período, Lady Gaga, em entrevista, chegou a dizer: "Seis meses atrás eu não queria nem mais cantar". Em seguida, agradeceu Bennett pela parceria e pela força dada durante as gravações que suscitaram no presente disco.


Lady Gaga no jazz não me parece apenas uma aventura ou, como dito pela Slant Magazine, uma tentativa de aumentar relevância. É neste momento que encontramos o melhor de Gaga, sem a forte preocupação com marketing e as vendas. O pop foi preciso e importante para a elevação da artista, mas o jazz a traz em sua melhor forma, por mais que muitos fãs duvidem.

O álbum é construído com duetos e solos, sendo, na minha opinião, "Lush Life" o ponto alto. Dos duetos, acho que "I Won't Dance" é engrandecedora, contribuindo mutuamente para as carreiras. Quando o "Cheek To Cheek" chega ao fim, com a interpretação ao vivo de Gaga para a faixa "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", gravada em Nova Iorque, criamos uma expectativa para dois futuros passos: um registro ao vivo e um álbum de inéditas que explore não só o jazz, mas também o Soul e o R&B. Sonhar não custa nada, né?

Se depender das últimas declarações de Lady Gaga, os frutos dessa belíssima parceria não terminarão por aqui. Resta-nos aproveitar e aguardar os próximo passos.